Ignore os Cantos de Sereia que Defendem o Marxismo

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Ignore os Cantos de Sereia que Defendem o Marxismo

Depois de 100 anos de fracasso, o grotesco experimento
socialista merece o seu lugar na lixeira da história


por Matt Ridley

Jornalista científico, autor de O Que Nos Faz Humanos e O Otimista Racional

 

 

Os seres humanos podem ser extraordinariamente tolos. A prática da sangria, como um tratamento médico, persistiu apesar de séculos de abundante evidência de que ela fazia mais mal do que bem. A prática do comunismo, ou sangria política como ele talvez devesse ser conhecido, cujo centenário na revolução Bolchevique acontece este ano, igualmente não precisa de mais testes. Faz mais mal do que bem todas as vezes. Governo nacionalizado, planificado e de partido único não beneficia ninguém, muito menos os pobres.

As doenças que o marxismo-leninismo pretendia tratar, pobreza e desigualdade, eram antigos flagelos que começavam a desaparecer, mesmo na Rússia. Pela primeira vez, padrões de vida mais elevados começavam a alcançar as pessoas comuns, e não só a elite feudal. Os radicais por muito tempo haviam visto o governo como o problema, não como a solução: que enriquecer as massas exigia libertar as pessoas dos reis e dos sacerdotes.

Na contramão veio Karl Marx, essencialmente com a sugestão oposta: um Estado poderoso criando riqueza, distribuída de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo sua necessidade, como resultado do qual as classes desapareceriam e com elas, eventualmente, o próprio Estado.

A esquerda progressiva rapidamente se apaixonou pela ideia de expandir, em vez de limitar, o poder do Estado. Era por uma causa tão boa. Infelizmente, a riqueza nunca se materializou e o Estado, longe de atrofiar e desaparecer, tornou-se tirânico.

Os bolcheviques da Rússia, tomando o poder em um golpe após a queda do czar, estabeleceram um padrão que seria repetido vezes sem conta durante o século seguinte. Um partido comunista toma o poder em nome do povo, declara ilegais todos os outros partidos, não mantém nenhuma eleição e depois de uma sangrenta luta de poder é logo dominado por um único homem. Fome é o resultado da destruição de incentivos que é inerente à coletivização da agricultura. Milhões morrem. A nacionalização de todo o comércio e a interrupção da maior parte do comércio exterior resultam na escassez dos bens de consumo.

O líder se torna paranoico e mata uma quantidade de pessoas, especialmente as de mentalidade independente, em expurgos. Mais pessoas são aprisionadas sem julgamento ou acusação. Uma polícia secreta se torna poderosa. O regime destrói a liberdade de expressão, mas é justificado e elogiado por simpatizantes de esquerda nas democracias ocidentais. Os padrões de vida se estagnam ou caem, exceto os da elite, que vive uma existência privilegiada. Muitas pessoas tentam fugir.

O comunismo não foi singular em governar por meio da violência. O fascismo, fundado por um ardente socialista, Benito Mussolini, e o nacional-socialismo alemão, perseguindo o coletivismo racial em vez do coletivismo de classe, foram pelo menos tão ruins quanto, embora acabassem matando menos — não por falta de tentativa.

Mas, vistos a partir dessa distância, todos eles são manifestações do mesmo fenômeno: ditadura centralizada justificada como governo popular. Os bombardeiros de Hitler sobre Londres, em 1940, queimaram combustível soviético.

Em 1949 a China repetiu o experimento russo, com o mesmo resultado. Mao Tsé-Tung conseguiu matar ainda mais pessoas, provavelmente 45 milhões nos quatro anos do Grande Salto Adiante, através de coletivização forçada e venda de alimentos para a Rússia em troca de tecnologia nuclear. Quando isso não funcionou e Mao começou a perder seu controle sobre o poder, ele embarcou em um expurgo de todo o país, chamado de Revolução Cultural, mergulhando o seu povo em abjeta pobreza enquanto ele próprio vivia como um imperador.

Em 1959 Cuba tentou o marxismo-leninismo com um resultado semelhante: 5.000 pessoas executadas, um número desconhecido de presos por dissidência e dezenas de milhares de mortos tentando escapar em balsas improvisadas. O PIB per capita de Cuba era aproximadamente o mesmo que o da Coreia do Sul em 1959. Hoje o da Coreia do Sul é cinco vezes maior.

Em 1962 a Birmânia seguiu o exemplo quando Ne Win tomou o poder e partiu para criar um “Estado socialista”. Ele introduziu o governo de partido único, nacionalizou os negócios e isolou o país do comércio mundial, enquanto aprisionava e executava aqueles percebidos como rivais. Ele empobreceu o país enquanto seus vizinhos prosperavam.

Em 1974, foi a vez de Benim ir na direção de expurgos e opressão. A economia estagnou por um quarto de século. Em outros lugares da África, a República do Congo e o Zimbábue também tentaram o comunismo, tendo Robert Mugabe chegado ao poder (não vamos esquecer) como um marxista-leninista entusiasmado.

A Alemanha Oriental teve de construir um muro para impedir que as pessoas escapassem. O Vietnã, como Cuba, enviou milhares de pessoas para o mar em barcos esburacados. O Camboja merece uma menção especial pelo rigor com que se manteve no plano de Marx de “varrer” a burguesia. Como chefe dos Khmer Vermelho, Pol Pot escravizou toda a população em fazendas coletivas, com seus capangas espancando ou matando de fome aqueles que mostravam menos do que total obediência, de modo que, de 1975 a 1979, aproximadamente 1,7 milhão de pessoas foram mortas.

A Coreia do Norte conseguiu transformar o comunismo em uma dinastia feudal de paranoia inigualável, que não só executa supostos dissidentes de maneiras incomumente horrendas, mas conseguiu fazer milhões de seus cidadãos passarem fome durante a década de 1990, uma época em que o resto do mundo se alimentava de forma cada vez mais abundante.

A Venezuela, rica em petróleo, se arruinou por meio do socialismo, criando escassez de papel e sabão. Dizem que, se tentassem o comunismo no Saara, logo haveria escassez de areia.

Os países comunistas que descobriram o crescimento econômico, notavelmente o Vietnã e a China depois de Mao, o fizeram abandonando a nacionalização dos meios de produção, o próprio cerne da prescrição marxista. Eles foram exceções que provaram a regra.

Preciso ir em frente? O comunismo matou em média um milhão de pessoas por ano durante um século, muito mais do que qualquer outro ismo, que dirá aquele que os marxistas chamam de “capitalismo”, e que o resto de nós chama de liberdade.

E ainda assim, em grande parte dos setores da mídia e do Partido Trabalhista [Reino Unido], incluindo a troika [comitê de três membros] de Jeremy Corbyn, John McDonnell e Seumas Milne, o marxismo ainda é desculpado e admirado enquanto a livre iniciativa é desprezada.

Os primeiros comunistas tinham boas intenções. Seu crime foi apostar tudo em uma ideia não testada e, quando ela falhou (como foi reconhecido com a pouco entusiasmada Nova Política Econômica de Lênin), serem teimosamente indiferentes aos dados empíricos negativos revelados pelo experimento.

Como médicos de sangria, eles elevaram um princípio a um dogma, sem qualquer consideração pelo sofrimento humano, a despeito da evidência esmagadora.

Original: Ignore the siren voices who defend Marxism (ou aqui)
tradução: Lauro Edison

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em Antiutopia

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